BATELÃO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO CHEGA A PIMENTEIRAS SÁBADO 28

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Em 2018, a 124ª Festa do Divino Espírito Santo foi iniciada no dia 4 de abril, na comunidade de Surpresa, com cerca de 1.500 habitantes, e concluída na localidade boliviana de Versalhes. Onde serão ao todo 38 localidades a receber os romeiros.

A Romaria do Divino Espírito Santo chega à cidade de Pimenteiras do Oeste/RO; no dia de (28/04) às 16:00 horas e permanece até o dia (30/04) no dia (30/04) saída com destino a Santa Cruz.

A Romaria do Divino Espírito Santo acontece anualmente no interior do estado de Rondônia. Esta peregrinação fluvial tem a missão de visitar todas as localidades da região do Vale do Guaporé, são 50 dias de grande festa religiosa, feita com muita fé e devoção. Os festejos envolvem uma grande quantidade de pessoas e existe uma estrutura de barcos e um pessoal específico para cumprir com a missão. Todos os custos são financiados pelos fiéis, através de uma junta administrativa. Este trabalho é uma descrição etnográfica da jornada do Divino ocorrida entre o mês de Abril e mês de maio. Desenvolvidas em diálogo com outras etnografias e trabalhos teóricos.

A Festa do Divino Espírito Santo no Rio Guaporé é o segundo festejo religioso mais antigo da Amazônia, superado apenas pelo Círio de Nazaré, em Belém do Pará. Ao contrário de similares que acontecem em vários estados brasileiros, no Guaporé não existe cavalhada ou luta entre “mouros” e “cristãos”, sendo o deslocamento feito todo por via fluvial.

Trazida da região de Cuiabá em 1894, a Festa do Divino visita as comunidades brasileiras e bolivianas ao longo dos rios Guaporé e Paraguá. Na década de 1930 as celebrações foram normatizadas pelo bispo Dom Francisco Xavier Rey, e a sede da Irmandade do Espírito Santo.

O Barco do Divino leva dentro a Arca contendo a Coroa, a Bandeira, as Toalhas do altar e os livros de Ata. Após o encarregado da Coroa receber a arca, o Barco do Divino inicia sua peregrinação ao longo do rio Guaporé, por quarenta dias, até o final da Festa, colhendo óbolos entre os ribeirinhos, o Final da Festa dá-se no dia de Pentecostes.

Ao aproximar-se de cada povoação, o Barco do Divino anuncia a sua chegada através de ronqueira (artefato confeccionado em madeira com um cano de ferro por onde é introduzida a pólvora), três buzinadas em chifres de bois, e mais próximos, os remeiros entoam cânticos de chegada e fazem a “meia Lua”, em frente ao porto, que consiste em três voltas circulares com, o barco, antes de aportar. As remadas são cadenciadas e os romeiros espargem água para o alto entre uma remada e outra. O Caxeiro, inicia o toque do Tarol.

Membro da Irmandade do Divino Espírito Santo desde 2003, Orlando Cuellas, natural de Costa Marques, encontrou em Minas Gerais Maria Isabel Rodrigues, com quem se casou há 30 anos. Ele é formado em administração de empresas, trabalhou mais de três décadas em uma multinacional e voltou a morar em Costa Marques, onde coordena a festa, que apesar das dificuldades de logística, acontece anualmente.

“A maior dificuldade que a gente tem é prover a romaria do combustível necessário. A parte da alimentação é fornecida pelas próprias comunidades ribeirinhas. O grande dilema, todos os anos, é o combustível para vencer mais de dois mil quilômetros entrando pelo rio Guaporé e seus afluentes. Para atender à romaria, entre a catequese (preparação dos membros da irmandade) e o final dela, são 50 dias”, disse, completando que são 2.300 litros de diesel.

Conforme Maria Isabel, a despesa inclui lubrificantes, gasolina para suporte do motor e polpa e para uma situação de emergência identificada pelo “mensageiro” que atua anunciando a chegada da coroa em cada localidade a ser visitada, para que os moradores se preparem para receber o cortejo religioso.

“A dificuldade de transporte, graças a Deus, é sempre vencida. Muitas diretorias representam regiões mais humildes, que não têm condições de ter o combustível total que procuramos determinar para cada uma. Essa cota estipulada é igual para todos. Por isso é preciso começar a trabalhar com antecedência”, explicou.

Orlando ressaltou que a assembleia é autônoma, decide quantos dias a romaria vai ficar em cada lugar para que a diretoria da comunidade trabalhe com antecedência. “Fazemos no Conselho Geral da Irmandade um link com as 15 diretorias para que observem a aplicação do estatuto”, afirmou.

As diretorias estão instaladas nos municípios de Costa Marques, São Miguel do Guaporé e Pimenteiras, e as localidades de Surpresa, Forte Príncipe, Pedras Negras, Porto Murtinho, do lado brasileiro, além de Cafetal, Piso Firme, Bela Vista e Versalhes, do lado boliviano.

Fonte, Foto e Vídeo: Wilmer G. Borges/Hojerondonia.com

 

 

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