DIÁRIO DO PORTAL: A “MÃO INVISÍVEL” DE ADAM SMITH

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Costumo exemplificar a teoria do liberalismo econômico que insere a livre concorrência de mercado aos meus alunos do Projeto Educação Solidária de uma maneira simples: uma cidade tem apenas uma padaria. Como não tem concorrência o dono do estabelecimento pouco se preocupa com a qualidade dos pães e estabelece o preço de forma abusiva. Até que um dia uma nova padaria se estabelece na cidade, com pães de melhor qualidade e preços mais acessíveis. O dono da antiga padaria passaria a perder cliente e dessa forma se obriga a se adequar a nova realidade do mercado, ou seja: melhora a qualidade do seu produto e passa a praticar preços parecidos com os do concorrente.

É basicamente isso que o pai do Liberalismo econômico Adam Smith propôs com sua teoria. Em plenoIluminismo, sua tese da “Mão Invisível” regularia o mercado a partir da livre concorrência sem a intervenção estatal. O princípio é a livre concorrência, liberdade econômica para que a iniciativa privada pudesse se desenvolver. Para o teórico econômico escocês a livre concorrência provocaria a queda de preços e as inovações tecnológicas melhorariam a qualidade dos produtos e aumentariam a produção. Desde então nenhuma outra teoria sobrepujou a de Smith e todas as nações que não a assimilam se tornaram esqueletos comunistas e países miseráveis de povos idem, como Cuba e Coréia do Norte.

Uma das discussões das redes sociais nestes dias girou em torno de se trazer para Vilhena uma unidade dos IrmãosGonçalves, uma rede de supermercados de Rondônia, para fazer concorrência ao Pato Branco, uma rede de mercados de Vilhena. A reclamação dos clientes seria que, sem concorrência a rede vilhenense não tem se preocupado com a qualidade de seus produtos. É uma discussão boa, mas anda faltando aos insatisfeitos aplicarem a teoria de Smith. Afinal Vilhena não é uma cidade de uma só padaria. Se o pão do Pato Branco está caro e sem qualidade, existem pelo menos três dezenas de padarias na cidade. Se a carne também não está a gosto existem na cidade dezenas de ótimos açougues. E pelo menos duas dezenas de mercados de porte parecido com o pioneiro vilhenense.

Para que a “mão invisível” de Smith funcione na economia local não basta apenas reclamar. Cabe ao cliente a sua parte de buscar outros estabelecimentos até que o em questão se adeque à sua necessidade. Se é esta a questão. Em meados dos anos oitenta havia em Vilhena dois grandes mercados. O Pato Branco, com as unidade da Capitão Castro e na outra esquina o Follador, com as mesmas dimensões e características. Depois o Follador ainda abriu outra unidade, no antigo Shopping, na Avenida Brigadeiro, onde hoje está o Shopping atual com uma unidade do Pato Branco. Desnecessário dizer que alguém ganhou a concorrência pelas razões elencadas por Adam Smith.

Se os clientes insatisfeitos olharem à sua volta verão que existem outras opções. Mas se a questão é a da comodidade, o de encontrar de tudo num mesmo lugar a solução é esperar que os órgãos de defesa do consumidor façam a sua parte, caso detectem irregularidades. Com todos os estabelecimentos e não apenas com o em questão.

A propósito, sobre um abaixo assinado para o Supermercado Irmãos Gonçalves se estabelecer em Vilhena, agradeço o convite para apor minha assinatura, mas adianto as razões de não fazê-lo. Os diretores do IG são experts nesse segmento, conhecem a realidade de Vilhena, de todo o Estado, tem em mãos planilhas de custo, feedback de retorno financeiro, concorrência. Se o investimento valer desnecessário abaixo-assinados, e se não valer nem que todos os vilhenenses assinassem eles se instalariam por aqui. A começar pela garantia.A de fidelização dos clientes que assinaram o abaixo-assinado. Quem garante?

Por: Vitor Paniagua.

DA REDAÇÃO DO HOJERONDONIA.COM

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