FATOS & VERSÕES

Por/Vitor Paniagua:

Dilma

A presidente Dilma está correta ao dizer que o seu ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, não deve ir ao Congresso dar explicações das consultorias pelas quais ele recebeu entre 2009 e 2010. Consultorias que, como comprovou a mídia, nem existiram, porém as empresas que teriam “pago” pelo serviço do ministro têm volumosos negócios com o governo. A presidente Dilma alega que até 2010 Pimentel não era ministro de seu governo, portanto, suas ações privadas não interessam ao governo nem maculam seu cargo. Pois é. Mais os outros sete que caíram também não faziam parte de seu governo, eram do governo Lula.

Vida nova

Provavelmente a presidente deva ter se inspirado na lei que torna os menores de dezoito anos inimputáveis perante a justiça do país. Antes de completar 18 anos os menores de idade podem aprontar a bandalheira que quiser que não respondem criminalmente.  Aplicada a mesma tese para o ministério, Pimentel está limpo. As bandalheiras por ele cometidas (se cometeu), até o ano passado antes de ser ministro, não existem mais para o governo. Passou-se uma borracha e vida nova.

Exército

Ao contrário do que acreditam alguns observadores, a decisão de colocar o Exército nas ruas, em minha opinião, não arranhou a imagem do governador junto à sociedade, pelo contrário. A população não agüentava mais este estado de confronto entre policiais militares e o governo. Ao mandar os líderes da greve para a cadeia o governo demonstrou força e autoridade. Um estado não pode ficar refém de um grupo de profissionais que a rigor, nem podem deflagrar greve, diz a Constituição, por conta da importância que tem para a sociedade, que é a Polícia Militar.

Compromisso

Por outro lado, o fato de não ter o movimento grevista permitido por lei, não deve servir para que governo algum avilte o direito dos policiais, principalmente negando lhes um salário digno que permita a eles viverem sem se inclinarem para a corrupção. Os governos, todos, precisam respeitar os acordos feitos com a sociedade e com as instituições, nesse particular, com o que foi feito com a Polícia Militar.

Patrimônio

Porém, decidida a paralisação sem que a mesma receba aval da Justiça e não havendo negociações, o governo tem que usar de suas forças para não permitir que o estado seja saqueado pela ladroagem, e assim o fez, convocando o Exército para tal. De quem incitou e promoveu a greve, no caso a entidade que representa as esposas dos policiais, deve se cobrar os prejuízos provocados ao patrimônio público, que não é da Polícia Militar nem do governo e nem da associação, mas da sociedade.

Pista

A conclusão da pista de caminhada da Avenida Tancredo Neves até a Paraná foi uma decisão adequada e está atendendo à população vilhenense. Principalmente porque a pista já era toda arborizada e mesmo sem pavimento, servia aos caminhantes. Quiçá tivéssemos mais pistas para que pudéssemos caminhar com tranqüilidade pela cidade.

Separando homens de meninos

Foi vergonhoso ver o time do Santos apático diante do Barcelona. Todos concordam que o Barcelona é um time quase perfeito, mas daí, humilhar o futebol brasileiro tem uma diferença enorme. Os jogadores do Santos foram ao Japão andar de trem bala, disputar quem conseguiria a camisa do Messi e assistir ao Barça jogar. Tanto fair play nunca se viu. Quando faziam uma falta no time catalão logo corriam pedir desculpas. Como se fossem culpados. Fosse o campeonato brasileiro ignorariam o adversário. Ninguém fazer uma marcação mais firme no argentino Messi. Pareciam hipnotizados. Fosse qualquer time sul americano a conversa era outra. O jogo serviu literalmente para separar os homens dos meninos. Dos Meninos da Vila.

Colonizados

Palmeirense que sou e torcendo pelo Santos nunca me senti menor. O Neimar, nosso craque, ficava olhando para a chuteira do Messi. Como se estivesse diante de um deus. Um craque de fato, mas que, como qualquer outro, passível de ter uma marcação no mínimo mais decente. Ai volto no tempo e, mais uma vez, defendo o Dunga, que decidiu não convocar os dois – Ganso e Neimar para a Copa passada. Não ia dar certo. São meninos que ainda não foram forjados na experiência dura do futebol internacional. Ficariam como ficaram agora, olhando os alemães, os italianos, os holandeses jogarem, com cara de paisagem. E o Dunga, que só perdeu um jogo importante, aquela contra a Holanda, que, aliás, o Brasil jogou bem, até hoje é hostilizado. Viva o Dunga por não ter levado para a Copa Neimar e Ganso. Ainda são meninos admirados com o desempenho dos homens. A bem da verdade, nunca me senti tão colonizado. Como se não fôssemos nós que devêssemos ensinar a eles a arte do esporte bretão.

Gilmar Mendes

Qualquer operador do direito que se preze tem a obrigação de ler o livro do ministro Gilmar Mendes, Estado de Direito e Jurisdição Constitucional 2002 – 2010 (Editoria Saraiva) cuja resenha de Reinaldo de Azevedo está na Veja da semana passada. Nele fica demonstrado que clamor público e o chamado “caça as bruxas”, não é critério de Justiça pelos quais um juiz deve embasar suas decisões para atender desejos da horda enfurecida, mas as decisões devem atender aos preceitos constitucionais e os direitos individuais, sob pena de não sermos uma civilização moderna, mas fazedores de Justiça pelas próprias mãos. O Ministro foi um dos poucos que reagiram contra o estado policial vigente que substituiu a ditadura militar dos anos de chumbo e bateu de frente contra as operações espetaculosas da Polícia Federal.

 Fonte/hojerondonia.com.

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