POR: VITOR PANIÁGUA: PELO FACEBOOK: É PRECISO, ENTRETANTO, DE VEZ EM QUANDO OLHARMOS PARA NÓS MESMOS E LEMBRAR QUE AO INVÉS DE GIGABYTES, O QUE NOS MOVE É UM CORAÇÃO

Tenho me divertido muito nestes dias com as redes sociais. Sempre quando posso dou uma espiada para ver as postagens. É um espaço extremamente democrático. De tão democrático às vezes se torna abusivo. Nestes dias de campanha eleitoral, então, quase sempre vira quintal abandonado com muito lixo. Ataques pessoais, acusações e insinuações de tantas vezes repetidas soam como blasfêmias. Logo surge alguém mais afoito, até valentões mais homens que outros e vira bate boca de botequim. (E de botequim eu entendo). Mas de repente vem uma piada bem engendrada que nos desopila o fígado. Ou uma mensagem bem elaborada, uma frase de efeito que propicia uma reflexão sobre o que somos; uma bela imagem que nos transporta para lugares maravilhosos ou nos coloca em nossos lugares de seres humanos comuns, falíveis, às vezes cordiais, em outras, presunçosos.

Este é o fascinante mundo virtual da era moderna, que nos mantém conectados onde quer que estejamos: em casa, na rua, dentro de um ônibus. A velha TV saiu do canto da sala para a palma das nossas mãos pelo smartphone. O velho computador hoje responde pelo nome de tablet. E por ai vai. A era da telemática, também identificada como a terceira revolução industrial, nos ofereceu o novo, as Novas Tecnologias de Informação, que a cada momento se superam em novas ferramentas a disposição da nossa sempre aguçada curiosidade e a necessidade ancestral de se comunicar.

Volto ao tempo e me recordo quando decidi me aventurar, ainda garoto imberbe, pelos caminhos do jornalismo na minha cidade natal no até hoje vivo Jornal Ilha Grande. Tudo o que tínhamos de moderno era um gravador de fita cassete, a velha máquina de escrever e a vontade de reportar. Depois já nessa cidade abençoada como editor do já falecido Gazeta de Notícias, de boas penas como Ivanir Aguiar, Luiz de Carvalho e Adailton Medeiros, hoje cineasta na Cidade Maravilhosa. Na “belle époque” do nosso jornalismo romântico da década de 90 a gente ainda se virava com os velhos gravadores, as máquinas de escrever. O moderno era um aparelho de telex, depois o fax, logo superados. Hoje tudo peças de museu, assim como a impressão linotipo e os velhos motores da Ceron.

Este é o contraponto. Donga, em 1916 saudava a modernidade da tecnologia da época que era o telefone compondo o samba “Pelo Telefone”. Em 1997, 15 anos atrás, o genial Gilberto Gil já previa essa revolução ao compor o single “Pela Internet”. Desde então nossas vidas nunca mais foram e nem serão as mesmas.  A magia da evolução tecnológica facilitou nossa comunicação de forma interativa e instantânea, o ensino a ciência e a pesquisa. É um alento saber que continuaremos avançando nesse campo virtual que modernizou nossa vida e democratizou os meios de comunicação. É preciso, entretanto, de vez em quando olharmos para nós mesmos e lembrar que ao invés de gigabytes, o que nos move é um coração. No lugar de um Home Page temos a nossa própria história de vida construída às vezes com muitas resignações e renúncias, erros e acertos. Em vez de uma web site temos a nossa moral que precisa ser respeitada porque ela é o nosso cartão de visita. A despeito de qualquer paixão que nos mova nada nos dá o direito de violar a honra alheia. Mesmo que o Facebook, o Orkut, os Blogs e outras modernas ferramentas de comunicação nos garanta a falsa sensação do anonimato, principalmente porque sabemos, nunca poderemos esconder de nós mesmos.

Vitor Paniágua é jornalista.

REDAÇÃO HOJERONDONIA.COM

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