Um código florestal para o mundo

Reserva-Legal

A reforma do Código Florestal ainda está dando o que falar. Qualquer que seja o resultado, ao final, o novo código contemplará uma área de reserva a ser preservada pelos próprios produtores rurais. Hoje já é assim: é o agricultor quem paga. Ela continuará sendo de no mínimo 20% da propriedade, sendo que em algumas regiões pode chegar até 80%. Essa área ainda será acrescida das áreas de preservação permanente (beira de rios, riachos, e nascentes), também dentro das propriedades agrícolas. Sem dúvida, é um presente dos agricultores brasileiros para o país e para o mundo.

Ninguém mais faz isso. Na cidade onde moro, ao se comprar um terreno na área urbana posso construir em toda a sua área. Não sou obrigado a preservar nada, a prefeitura é que tem esse dever. Na zona rural da Holanda, onde já morei, o agricultor planta em várzea, em beira de rio, só não planta em topo de morro porque lá não existe. Lá na Holanda, a obrigação de comprar áreas para preservação é do Estado. O agricultor não se envolve. Sua obrigação é produzir alimentos. Uma das fotos acima é da região na qual morei na Holanda (sem floresta) e a outra é da região de uma usina de açúcar e álcool na qual trabalhei em Mato Grosso do Sul (com APP e Reserva Legal – note a existência de florestas).

No Brasil os agricultores se tornaram parte da solução na questão ambiental. Os produtores rurais brasileiros, às suas expensas, preservam áreas de floresta. Não só o Estado tem unidades de conservação, mas o agronegócio contribui. Aqui existe a verdadeira multifuncionalidade da propriedade rural. Os nossos concorrentes, porém, não fazem o mesmo. Temos que competir num mercado injusto, enfrentando um verdadeiro “dumping ambiental” de agricultores de União Européia, EUA e Canadá que não precisam contribuir com nada, desmataram tudo e podem plantar em 100% de suas áreas. A nossa soja e nosso milho preservam florestas, os deles não.

Está na hora do Brasil convidar os agricultores do mundo todo a fazer o que nós já fazemos: preservar a natureza e garantir a biodiversidade. O mundo precisa de um código florestal, precisa ao menos de padrões mínimos mundiais. Não é a solução da degradação ambiental do planeta, mas seria uma pequena contribuição que precisa ser valorizada. Vamos elevar o nível do debate: incentivar que os agricultores europeus, às suas próprias expensas, também preservem a natureza. Até eles criem reserva legal e áreas de preservação permanente eu estarei de boicote: não comprarei queijos franceses, nem pão integral alemão. Eles destruíram a floresta!

HOJERONDONIA:

Luiz Rodrigues

Engenheiro Agrônomo. Especialista em Políticas Públicas.

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