UMA REFLEXÃO SOBRE PROVAS OBJETIVAS E A FORMAÇÃO DE ADMINISTRADORES DIFERENCIADOS

O ato de estudar de forma dedicada é antes de tudo, uma expressão da crença em vitórias honestas. É um propósito comportamental que conduz a patamares muito nobres e desejáveis, como a aquisição de valores extremamente positivos, como a honestidade, o respeito, a prosperidade através da conduta ética, a valorização da sabedoria, da aquisição sistemática pelo conhecimento e também, da exatidão. Estes valores e comportamentos são essenciais para uma sociedade que privilegia a inteligência, a excelência, a reputação ilibada, além da minimização dos riscos e do retrabalho.

Evidentemente que no mundo em que vivemos, o fator relacionamento pessoal é importante. Ele ajuda na sobrevivência, na manutenção da empregabilidade, mas certamente não é uma determinante quando o assunto é mercado de trabalho. Saber estudar é um recurso crucial, do qual o profissional excelente ou que busca a excelência lança mão o tempo todo. É o diferencial que faz com que o profissional se torne referência no mercado. Neste sentido, a metodologia do Programa de Certificação em Qualidade da Fundação Getulio Vargas tem muito a contribuir para o processo de administradores diferenciados, visto que ele combina a exatidão com o alto desempenho acadêmico.

É claro que para usufruir desses benefícios, é necessário adotar algumas condutas no cotidiano que conduzem a excelência. Empresto aí a minha experiência estudantil, o que sem dúvida foi determinante para mudar para melhor a vida. Ser um aluno ótimo não tem segredo: depende da boa articulação de técnicas. Lembro-me da época que cursava faculdade: eu tinha um gravador que levava  sempre para todas as aulas que assistia. Eu sempre gravei todas as aulas da faculdade. Ao mesmo tempo, enquanto assistia às aulas, eu sempre fazia as anotações sobre tudo o que cada um dos meus professores falava. Ao chegar em casa, lia os textos recomendados mais uma vez, as minhas anotações e ouvia as aulas umas três vezes, para nunca mais esquecer o assunto. Sempre fazia todos os exercícios e os trabalhos solicitados. Cumpria prazos. É certo que os finais de semana eram sacrificados, pois trabalhava durante o dia e estudava à noite, mas eu não me arrependo.

Há de se levar em consideração que estamos num país que possui 82% de analfabetos funcionais portando certificado de nível superior, quem estuda muito com foco bem definido, lê um livro por semana, não tem outra prerrogativa senão vencer e atingir o sucesso. Por isso as provas objetivas são importantes: elas têm a mesma função que um joalheiro tem em relação a uma pedra de diamante bruto. Elas simplesmente lapidam a jóia, que somos nós mesmos, com exatidão, com perfeição. Por isso mesmo a Fundação Getulio Vargas garante todos os profissionais de administração que ela certifica em qualidade e disponibiliza ao mercado de trabalho.

Resolvi escrever este texto porque eu quero demonstrar que através do estudo é possível se atingir resultados incríveis e que as provas objetivas são estratégicas e logo grandes parceiras, que nos conduzem a tais patamares, porque premiam a excelência. Uma prova objetiva sempre nos coloca de frente com as questões: Sou realmente bom em um determinado assunto? Estou prestando atenção às aulas? Incomodo o meu professor com perguntas inteligentes e perspicazes até que ele diga: ‘mas que cara chato’? Quanto tempo dediquei realmente para consolidar o meu projeto, o meu sonho? Sou uma pessoa que desiste diante de pequenos obstáculos ou sou uma pessoa que os supera? Eu consigo tudo o que eu quero por meio dos estudos?

Provas objetivas são exatas e realmente nos impelem a ampliarmos a nossa capacidade de aquisição de conhecimentos, valorizando o conceito de que não há dois pesos e duas medidas para cada situação que a vida nos impõe. Elas premiam a liberdade de escolha, que certamente está fundamentada no preparo prévio, seja ele dedicado ou não, e nos oferta resultados claros sobre o que somos e o quanto nos dedicamos a cada um dos nossos sonhos. Não existem fracassos em provas objetivas, somente resultantes do esforço que imprimimos ao longo da caminhada até elas. Se formos bem, a comemoração é inevitável. Se formos mal, é necessário verificarmos onde os erros aconteceram, apertarmos os cintos e estudarmos até que aquela lacuna seja definitivamente suprida. Daí faremos a prova de novo e comemoraremos, inevitavelmente.

Provas objetivas ensinam, portanto, a humildade, que é uma qualidade nobre que deve acompanhar qualquer profissional ao longo da vida. Elas demonstram que o erro faz parte do processo contínuo de aprendizagem e se houver persistência investida de método, os resultados serão colhidos logo ali na frente. Trata-se de um mecanismo que impele a pessoa ao processo natural de melhoria contínua e ao mesmo tempo, a adoção de uma perspectiva otimista em relação à vida.

Neste sentido, Douglas (2010, p.90-94) discorre sobre a agregação cíclica alcançada pelo investimento de tempo em estudos, que se relaciona ao processo de melhoria contínua impulsionada pelos estudos e respectivamente, à elevação de desempenho em relação a provas objetivas.

A agregação cíclica é o fenômeno no qual a cada novo conhecimento agregado aos já consolidados forma-se um ciclo maior, mais rápido e mais seguro de aprendizado. A cada novo conhecimento aumenta o número de associações e, consequentemente, a capacidade de memória e a facilidade de agregação de novos conhecimentos.

O aumento do conhecimento segue uma linha de progressão geométrica, funciona como se fosse uma bola de neve, cada vez maior e mais rápida. É por esse motivo que não se pode parar de estudar até alcançar o sucesso. Enquanto estamos agregando conhecimentos, estamos aumentando a nossa capacidade de aprender mais (p.90).

Para o autor é a regularidade nos estudos que permitirá que o profissional atinja a chamada velocidade de dobra, que é definida por ele como ‘o estágio em que será capaz de, a cada ciclo, dobrar a quantidade de conhecimentos agregado’. A velocidade de dobra proposta por Douglas é apresentada na Tabela 1.

TABELA 1 – AGREGAÇÃO DE CONHECIMENTOS PELA VELOCIDADE DE DOBRA

Tempo em ciclos de estudo (semanas, meses, etc) Conhecimento anterior Conhecimento agregado (= crescimento) Total de conhecimento
Ciclo nº 01 1,0 +1,00 2,0
Ciclo nº 02 2,0 +1,00 3,00
Ciclo nº 03 3,0 + 1,2 4,2
Ciclo nº 04 4,2 +1,8 6,0
Ciclo nº 05 6,0 + 2,5 8,5
Ciclo nº 06 8,5 + 3,5 12,0
Ciclo nº 07 12,0 + 6,5 18,5
Ciclo nº 08 18,5 + 12,5 31,0
Ciclo nº 09 31,0 + 22,0 53,00
Ciclo nº 10 53,0 + 47,0 100,00

Fonte: Douglas, 2010; p.92.

Este modelo proposto pelo autor demonstra que o processo de aprendizagem é contínuo e crescente. Dos ciclos número 1 ao 3, lidamos com a dificuldade. A maioria das pessoas desistem nestes níveis, em razão de repetirem para si mesmas que não dão conta ou que é difícil. Quem persiste e chega aos níveis 4 a 6, começa a deslanchar, porque a aprendizagem fica mais fácil, leve, pois as dificuldades iniciais já foram superadas. Dos níveis 07 a 09, a pessoa inevitavelmente já transformou aquele conhecimento numa fonte de prazer e já caminha com os pés nas costas. No ciclo número 10, atingiu o nível de expertise.

Para tal, as provas objetivas tem valor precioso, pois permitem que planejemos, realizemos, verifiquemos e desenvolvamos as ações corretivas necessárias para o sucesso. Este, sem dúvida, pode ser visto como um dos grandes diferenciais do Programa de Certificação de Qualidade da Fundação Getúlio Vargas, na área de Administração: provas nacionais, objetivas, que permitem a observação de como cada indivíduo está, em relação ao desempenho de milhares de alunos de todo o país. A comparação do desempenho, sem dúvida, é fundamental, para o estabelecimento de metas e também dos limites pessoais (até onde se pode chegar).

Finalizando, seja na função de empresário, executivo, consultor, professor ou pesquisador, os testes objetivos são critérios que sempre acompanham o profissional de administração. No mundo profissional, as provas são definidas pelo mercado. De tempos em tempos, o mercado nos oferecem resultados fidedignos, exatos, pelas tomadas de decisões realizadas, pela forma como conduzimos os vários projetos sob nossa responsabilidade, pelo empenho dado a ele ao longo do tempo. Diante das respostas dadas pelo mercado, sempre exatas, muitas vezes, lida-se com perdas ou com vitórias, mas inevitavelmente, elas sempre nos conduzem a reflexão sobre o próximo patamar da nossa estratégia, seja ela de crescimento ou de sobrevivência.

Mara Luiza Gonçalves Freitas é administradora e docente de ensino superior na área de Administração. É coordenadora do curso de Administração da Faculdade Porto, curso certificado em qualidade pela Fundação Getúlio Vargas. E-mail: mara.freitas@portovelho.br

Por Mara Luiza Gonçalves Freitas

REDAÇÃO HOJERONDONIA.COM

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